Recomeço

Eu nunca gostei de errar. Na verdade, acho que ninguém deve particularmente gostar. Mas boa parte do meu amadurecimento veio da aceitação de que eu erro e que isso não me desintegra ou me faz desmerecer quem sou pelo simples ato de errar.

E eu errei. Errei no manejo desse bebezinho (hoje menino) que veio ao mundo brabo e carinhoso, pronto pra ser cuidado por mim. É engraçado como a gente lê e se prepara por meses a fio durante a gravidez. A gente tira dúvidas com parentes, lê blogs, participa de fóruns de discussão. Ainda assim, ser mãe é uma das coisas mais solitárias que se pode vivenciar.

Quando começaram as birras/enfrentamentos/terrible two’s (seja lá qual o melhor termo pra isso), eu tinha uma preocupação muito grande em não ser mole, em manter disciplina, em não criar uma pessoa que não respeite as regras da família/comunidade/mundo em que vive. Não sou particularmente rígida. Nunca fui (e fui criada por pais bastante permissivos). Talvez por isso mesmo tenha levado comigo a máxima : “é de pequenino que se torce o pepino”. Incontáveis vezes deixei o Victor de castigo, usei tom de voz firme (que breve se transformou em grito), perdi inúmeras vezes a paciência e passei a categorizá-lo mentalmente como “criança difícil”. Eu realmente não conseguia aceitar como ele não entendia que issou ou aquilo era errado, que ele perdia brinquedos quando se comportava mal (especialmente quando batia na gente), que NÃO VALIA A PENA se comportar mal. Como se fosse uma escolha puramente dele. Como se ele estivesse no alto controle de seus sentimentos e ações (sendo que eu, aos 35, ainda não me sinto totalmente no controle das minhas ações e menos ainda dos meus sentimentos). Eu demorei muito tempo pra perceber que tanto eu como meu marido temos expectativas irreais em relação a ele. A gente, sem se dar conta, imaginava e buscava que ele compreendesse – como um adulto ou uma criança bem mais velha – sobre regras, costumes e consequências de um mau comportamento. De um lado ficávamos nós, os adultos, frustrados e escabelados entre gritos, esperneios, castigos e crises de fúria (nossas e do pequeno), muitas vezes pensando porque nosso filho era assim, tão diferente das outras crianças, tão demandante, tão brabo e rebelde. De outro lado ficava o Victor, um menininho de gênio forte, mas sem muito espaço pra liberar sua brabeza, suas inadequações, seu processo de aprendizagem em relação ao mundo. E cada frustração dele se manifestava em mais crises de brabeza, de choro esgoelado, de socos e tapas, de tristeza no olhar. Uma solidão compartilhada na família.

Foi um caminho muito longo até chegar aqui (e o “aqui”- só pra lembrar – não é o “foram felizes para sempre”. É apenas o recomeço, assim como no título ali de cima). Falei com incontáveis pessoas, consultei mais de uma terapeuta infantil, fui ao centro espírita, tratei com homeopatia. A cada conversa, um frio na barriga. Acho que era o medo de ouvir o que no fundo já era sabido por mim: eu tinha que repensar meu papel de mãe e meu jeito de maternar. Todas as pessoas foram peças fundamentais no processo, mas tive leituras que me fizeram virar a chave e resetar muito dos meus conceitos: a Laura Gutman e um texto que veio de uma discussão de fórum – sobe birras – da Sthefany Nering. Enquanto uma fala das próprias questões psicológicas da mãe e que interferem diretamente na criação e conexão com o filho, a outra abordou questões de maturidade neurológica no controle de impulsos e cognição das emoções das crianças. Quando eu li ambos materiais, consegui enxergar com absoluta clareza: eu estava entrando em crise junto com o Victor. Eu esperava dele uma compreensão de adulto, mas não estava conseguindo me colocar neste papel quando ele mais precisava. Eu gritava e quase esperneava junto, em vez de ajudá-lo a se acalmar. Eu pensava: “por que meu filho tem que ser assim?” em vez de pensar: “o que posso fazer por ele pra que não se desespere assim?”. Parece tão simples, né? Quase instintivo, como muitos dizem ser a maternidade. Mas pra mim não foi. Demorou quase 4 anos.

Pra ser mãe a gente tem que dar um espaço na vida para o filho. Mas um espaço que vá além dos cuidados básicos de alimentação, sono, cuidados com frio/calor, manutenção da saude em geral. É um espaço que não tem tamanho físico, não se contabiliza em minutos ou dias. É de energia. Uma energia que a gente tira às vezes da relação a dois, em outras, das tarefas de casa ou de trabalho acumuladas. Ou mesmo uma energia que a gente gasta e nem percebe só por ficar mirando aquela tela iluminada do celular em meio a 300 aplicativos basicamente inúteis. Essa energia que a gente doa é de conexão. É de tentar ouvir o que a criança está tentando nos dizer com palavras, gestos ou lágrimas. É um dar-se aos pequenos seres mesmo nos dias em que não estamos bem com a gente mesmo, num esforço incrível de se desconectar do ruim pra tentar criar algo com a criança. E não que seja isso um ato de esconder os sentimentos. Muitas vezes divido com o Victor quando meu dia não foi tão legal, quando sinto saudades de abraçar meu pai, quando me sinto triste. Mas sempre busco descobrir algo legal que a gente possa fazer juntos pra melhorar aquele momento. Acho importante ele ver que ninguém é feliz o tempo todo. Nossa sociedade inteira carece disso. Praticamente cada conhecido meu no Instagram carece URGENTEMENTE disso.

Esse movimento de chegar ao recomeço foi super doloroso. Solitário. Nada fácil. Poucas pessoas (mães – em especial) vão te ouvir sem te julgar ou te olhar com uma cara que varia entre: “coitada! Ainda bem que meu filho não é assim” ou “o que será que ela está errando? É mole demais? Firme demais? Ausente demais?” . Tem um estigma gigantesco na nossa sociedade de se falar mal da maternidade, dos desconfortos, do que incomoda, dos arrependimentos inclusive. Mãe que é mãe ama ser mãe. Mãe que é mãe jamais se arrepende de ser mãe. Mãe que é mãe sabe instintivamente ser mãe.

Eu acho difícil e gostoso ser mãe. Amo muito meu filho, mas acho uma doação muito maior do que me vi capaz em alguns momentos nos últimos 4 anos. Tem muito desprazer e cansaço misturado às gargalhadinhas, aos aprendizados, aos porquês intermináveis, aos carinhos, a cada passo que eles dão em direção ao mundo maluco em que vivemos. E exatamente por achar difícil, me questionei inúmeras vezes se fiz a escolha certa, se não fui impulsiva e romântica, idealizando um filho e uma maternidade que não existiam além das fronteiras de Hollywood. Se me arrependi? Algumas vezes, confesso.

O que eu sei dizer hoje – em 2015 – após quase 4 anos de Victor nesse mundo – é que não posso imaginar uma vida em que eu não conhecesse ele. Em que eu não soubesse seus gostos, manias, paixões, desagrados. Consigo lembrar e me imaginar dormindo até às 10:00 num sábado, mas não posso imaginar uma existência minha sem ele junto.

Por fim, tenho clareza de que ser mãe – pra mim – não foi e talvez nunca seja instintivo. Tive que ler, pensar, refletir, fazer e refazer muito do meu caminho e das minhas escolhas pessoais pra construir (e eu sigo em plena construção!) pra ser mãe do Victor. Eu tenho 2 pedidos a Deus no dia de hoje:

  • Que eu possa seguir aberta à crítica, à reflexão e à descoberta ativa de QUEM é o Victor, em vez de tentar fazê-lo ser quem eu ESPERAVA que ele fosse
  • Que qualquer mãe ou pai que passe por dúvidas, dores, tristezas, raivas, decepções, ansiedades similares às minhas, possa encontrar este texto e saber que não está sozinho nessa jornada. Que nunca é tarde pra gente recomeçar. E que a maior resposta para todos os dramas da maternidade SEMPRE inicia pelo AMOR.

1 ano e muito mais…

Meu filho,

Ainda lembro perfeitamente do dia em que tu nasceu. Às vezes parece que eu fechei brevemente os olhos e de repente tu estava completando 1 ano…
Nesse primeiro ano, lidamos, nós dois, com nossos desconhecimentos. Tu não sabia nada do mundão fora da barriga. E eu não sabia nada do bebê que morou em mim por quase 9 meses. E a vida se encarregou de fazer a gente se adaptar um ao outro.
No início foi difícil, não minto. Tu tinha cólica e eu fazia de tudo que era possível pra passar tua dor, mas muitas vezes não passava.  Essa fase inicial foi de choro, perninhas encolhidas, bolsas de água quente e massagem.
Depois veio aquela paz. Acabou a dor. Tu aprendeu a sentar, começou a sorrir cada dia mais e foi mostrando o que tu gostava ou não de fazer. E então eu descobri que meu bebezinho era brabo. Risos, Baby Einstein e grude com a mamãe marcaram esse período.
Eis que de repente já passou meio ano e era hora de a gente se separar algumas horas por dia. Doeu ter que te deixar na creche nos primeiros dias, mas eu tinha certeza de que tu estava num local em que te dariam muito amor. E assim de fato foi. Logo tu começou a ir em outros colos sem estranhar e dar micropassos de independência. Risadas e gargalhadas eram distribuídas aos borbotões e vivemos momentos muito gostosos e tranquilos. Nessa fase, muita papinha no chão e no rosto (pouca na boca), brincadeira de “cadê o bebê?”, mamadeiras cada vez mais cheinhas de leite.
Chegou a fase de explorar o mundo. De engatinhar por toda a casa. De mexer onde pode e onde não pode. De ouvir muitos “não” e descobrir como lidar com isso.
E agora vivemos um tempo de muito amor, risada e brigas. E te vejo se erguer sozinho e segurar no que estiver ao teu alcance pra observar o mundo. E ensaiar os primeiros passinhos. De se irritar quando eu não te deixo mexer em algo, te jogando pra trás com um impulso, resoluto na brabeza.
Meu filhote, eu quero muito que um dia – já mais velho – tu possa ler essa carta e descobrir o bebezinho que tu era. E eu te digo que tu tinha o rosto e o cabelo iguaizinhos a mim, quando bebê. Mas que teu gênio parecia mais com o do teu pai. Que teus olhos transbordavam felicidade e sempre se arregalavam quando tu nos dava um dos teus constantes sorrisos. Que tu mostrava um alto nível de energia, mas não era um bebê agitado.
Então, nesse teu primeiro aninho, filhote, eu tenho colecionado tuas expressões, jeitos, manias. Porque eu já sinto falta delas conforme o tempo escorre entre as minhas mãos.
Eu amo teus gritinhos emocionados quando algo te interessa no mundo.
E também a dança do sono, aquele levantar-sentar-deixar-se cair pro outro lado que é quase um balé pros meus olhos.
Eu sou apaixonada pela tua voz de homenzinho-mini dizendo “mamã”, “papá” e “au-au”.
Fico encantada com a tua curiosidade por tudo à volta, assim como me impressiona tua capacidade ficar brabo quando contrariado.
Adoro teu bom-humor matutino, quando tu acorda conversando e espera pacientemente a gente te pegar no berço.
E eu guardo comigo, meu amorzinho, cada vez que tu me envolve com teus braços fofinhos e que eu sinto o cheirinho dos teus cabelos e o quentinho do teu rosto. É a certeza de que não existe mais um mundo possível pra mim se tu não existir nele. É saber que nada é mais importante ou bonito do que aquele momento contigo.
Tu me faz mais gente. Mais mulher. Mais poderosa. Mais feliz. Mais completa.
Muito obrigada por vir fazer parte das nossas vidas!
Feliz aniversário!

Depois de tanto tempo…

Momento mea culpa… Vinha pensando em como abandonei o blog.
Na verdade os projetos e tarefas começaram a se acumular e escrever ficou em segunda, terceira, quarta prioridade…. e assim por diante. Então vamos aos quicks updates:
– Victor tem mais de 7 kg, 64 cm, 6 meses e meio. Ele senta, rola, ri muito, dá micro gargalhadas e enche meu dia!

– Começou a comer frutinhas e adora, especialmente mamão, pêra e cáqui! Também já toma as sopinhas… Chega a comer 100 ml (e uns 50 devem ficar no babeiro, certamente!!).

– Começou na escolinha na semana passada e se adaptou super bem. Dormiu, comeu, brincou e riu. Agora ficamos juntos todas as manhãs e ele fica na escolinha das 13:00 às 18:30. EU também fiquei bem, mas confesso que dei uma choradinha no primeiro dia, umas horas antes de irmos pra creche. Depois, poeira batida, coração recuperado.

Esse período de vida dele é mágico. Simplesmente mágico. Porque ele sorri, interage, brinca com a gente, além de: ficar no carrinho, ficar no bebê-conforto, tudo aquilo que ele não fazia antes! Estou muito feliz!

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Meu filhote querido!

Tu já tem meio ano de vida e ultimamente parece que o tempo tem voado… A gente já não passa mais o dia todo juntos, mas tu sempre me recebe tranquilo e sorridente quando te busco na creche. Começamos a ter nossos compromissos individuais e separados, e acho que está sendo bom para nós dois. Por isso o tempo que passamos juntos é de brincadeiras, de risadas, de afagos mil… e infelizmente voa! Parece até um pouco estranho dizer isso, mas eu sinto falta dos dias que a gente ainda nem viveu. Porque a gente já teve períodos bem difíceis, lá no início, quando parecia que não íamos conseguir acertar o passo de um e de outro. Tu tinha fome, mas não tinha paciência de aprender a mamar. Depois tu tinha cólica, porém eu não sabia o que fazer pra passar aquela dor. Daí eu chorava de um lado e tu do outro.
E aos pouquinhos eu te vi crescer, começar a ir no colo de outras pessoas, distribuir sorrisos, aceitar e gosta de andar no carrinho, parar de brigar com o bebê-conforto e passar a pegar no sono nos passeios de carro.
Tu foi amadurecendo e se adaptando ao mundo. E eu fui me adaptando a ti e crescendo como mãe. Por isso já sinto a passagem do tempo, vendo o quanto vou sentir falta desse período em que tu é pitico, cabe no meu colo e fica nele com prazer. Porque eu sei que isso vai passar. E tu vai querer desbravar o mundo engatinhando e depois andando. E eu vou ter orgulho de cada conquista!
Mas – por enquanto – vamos tentar não crescer tão rápido, né? Preciso demais desses momentos íntimos e gostosos de te acalentar no colinho, beijar tuas bochechas gordinhas e receber sorrisões desdentados.

Da tua mamãe boba, com amor,

Bia

Tudo passa, tudo sempre passará

Naquele desespero dos primeiros meses do pequeno, eu perguntava pra amigas minhas que são mães (e também pra mães que acabaram se tornando minhas amigas) se a crise “passava”. A tal crise que eu chamei de “período de experiência” dos pais e bebê.
Dava a impressão de que seriam cólicas eternas, baby blues, noites altamente insones e tudo mais que vem no pacote “hello, sou um bebê que recém chegou ao mundo e minha única forma de comunicação é o choro”.
E hoje eu escrevo pras mulheres que querem ser mães, para as que estão em processo de (leia-se gravidinhas de plantão) e para quem mais possa interessar.
Mentalizem essa mágica palavra comigo: PASSA. Tudo passa. Tudo – por mais difícil que seja – eventualmente passa.
– Dificuldade de amamentação PASSA.
O Victor brigou com a teta quase o primeiro mês inteiro e hoje mama – feliz e contente – em livre demanda. Eu só precisei relaxar os ombros, os braços e a mente. E aprender a segurar o peito na boca do meu voraz e apressado gulosinho, que se irritava cada vez que perdia o bico do seio.
– Cólica
PASSA.
O exato “como” eu não sei dizer, mas que passa, ah, passa! Thanks God! Porque eu quase pirei em tentativas que iam de funchicórea a Tummy Tub, bolsinha de água quente a massagens intestinais que apertavam a barriguinha dele e a abstinência de qualquer produto derivado do leite de vaca. Mas no fim…o que valeu foi o que o “senso comum” (leia-se: as vós, bisas, a vizinha, a caixa do supermercado…) diziam: “Ah, chegando aos 3 meses isso passa!”
– Chororô sem fim
PASSA.
Conforme a gente vai ficando mais eficiente em reconhecer os tipos de choro, eles também economizam a quantidade de lágrimas porque sabem que vão ser atendidos. E coisas que antes podiam ser assustadoras (como banho) acabam se tornando propícias para desbravar o mundo, realizar corajosamente suas próprias descobertas.
– Sono (leia-se: olheiras de zumbi e noites picotadas sem nem “ter tempo de sonhar”)
PASSA.
Mas essa é a mais polêmica, porque é uma loteria. Tem bebês que dormem pouco OU acordam muito OU não querem dormir no berço OU tudo-isso-junto. Mas o fato é que a gente se adapta. Já não ficamos mais bocejando o dia inteiro e já se consegue “funcionar” com apenas 4 ou 5 horas de sono. E – óbvio – se comemora cada minutinho a mais que se ganha na batalha do sono!!

No fim, passada essa puxada fase de adaptação, ficam os olhares de carinho, de lealdade, de embevecimento que trocamos durante o dia todo, as dobrinhas gostosas das pernas e dos braços, o olhar curioso a cada nova descoberta, os gritinhos de felicidade e conversinhas indecifráveis e o sorriso. Ah, eu poderia ficar o dia inteiro vendo o Victor sorrir pra mim! Eu sou invadida por uma felicidade tão plena e deliciosa ao olhar praquela boquinha banguela escancaradona!
Vale, sim, muito a pena passar pelo ruim, pelo difícil e pelo cansativo para ter a incrível oportunidade de conhecer dia após dia quem é esse mini humaninho que veio integrar minha família e mudar minha vida pra sempre!

90 dias do bebê – Período de experiência dos pais

Filhotinho completou 3 meses e a minha velha veia de profissional de RH se botou a matutar sobre esses 90 dias de “experiência” na vida dos pais e do bebê. No Brasil, via de regra, todas as empresas adotam o contrato de trabalho que possui os 90 dias de experiência. Nesse período se consegue começar a conhecer melhor alguns traços de personalidade do funcionário, adaptação ao clima da empresa, capacidade de resposta às exigências, ritmo, enfim. A gente sai daquele mundo colorido e bonitinho do discurso de experiências passadas e comprova – na prática – se a pessoa se adapta ao cargo. É uma pressão, com certeza, mas fica explícito que essa é a hora de se “mostrar a que veio”.
Mas ninguém nunca me falou que passamos pelo mesmo tipo de “probation” como pais. Esses primeiros 90 dias são de uma carga tão intensa de adaptação, que ao final do período, eu francamente nem me lembro da pessoa que eu era antes do Victor nascer. Eu fui testada das mais diferentes maneiras, desde a paciência até o condicionamento físico (sem esquecer da libido… Ou o que restou dela!). Mas nesses 90 dias eu:
– descobri que posso “funcionar” relativamente bem com apenas 4 ou 5 horas de sono por noite.
– aprendi a comer as refeições em parcelas de tempo, ou com uma mão só, ou com um bebê no sling.
– passei a considerar um alto luxo poder tomar banho E passar creme no corpo E secar o cabelo.
– comprovei que – de fato – por mais que eu leia todos os resultados do Google ou os melhores blogs de mães, AINDA ASSIM não tem receita de bolo pra criar um filho. Buscar as melhores alternativas é um trabalho non stop, 24 horas por dia, 7 dias da semana.
– e que “mãe” é um cargo muito mais trabalhoso do que a job description que eu tinha idealizado (romanticamente) na minha cabeça.
Ou seja, pude ter um preview do que pode e provavelmente vai ser a nossa vida juntos. Algumas coisas estão correspondendo às minhas expectativas, outras, não. Eu cedo em coisas que me imaginava firme, mas também me vejo rígida com fatores que antes nem achava tão importantes. E eu me reinvento diariamente pra lidar com o gênio do meu filhote, que desde bem cedo me mostra com veemência aquilo que odeia ou que é inaceitável. E quando o odiado por ele é o necessário ou o correto pra mim (como ficar sentado no bebê-conforto nas viagens de carro, por exemplo), eu tenho que ter a calma pra aguentar o choro e a persistência de não me deixar influenciar pelo estresse que isso me causa.
O fato é que – diferente do contrato de experiência – não existe a possibilidade de a gente finalizar o vínculo (ainda bem!!), é uma relação pra sempre. E é exatamente esse “pra sempre” que me faz pensar em ser cada dia melhor, em seguir buscando táticas de educação e de bem-viver com esse novo serzinho que veio integrar minha família. E não tem aumento, bônus ou participação nos lucros que se compare àquele olhar apaixonado que ele me dá a cada mamada, àquele sorriso que vai se formando até deixar o peito escapar da boquinha, pra em seguida se transformar num monólogo de balbucios docilmente indecifráveis. Indubitavelmente é o melhor “emprego” que já tive.

Pausa para as festas

Se Dezembro já era um mês que voava na minha vida pré-baby, imagina agora. No fundo eu sabia que ia ser bem diferente de qualquer outro ano, só não sabia como. Eis os resultados.

Festa # 1: batizado – 18/12

Victor chorou em diversos momentos da cerimônia, exceto na temida hora da água na cabeça. Vai entender… No almoço de comemoração ficou parte acordado e parte dormindo, além da parte “acordado-e-chorando”, of course! Eu diria que ficou dentro do esperado.

Festa # 2: Natal

Curtindo um DVd do Baby Einstein

Essa eu achei que ia tirar de letra. Pouca gente, feita aqui em casa mesmo, cada um trazendo uma coisa. A gente só precisava fazer arroz e uma salada. O resto o pessoal ia trazer.
E foi um caos! Ele chorou quase o dia todo, fizemos a “comida” em 5.000 parcelas entre um colo e outro. Eram 20:00 e eu estava exausta e com o humor em frangalhos. Detalhe: a festa nem tinha começado, mas Baby Noel tinha finalmente ido dormir.
Então meu primeiro Natal com o Victor acabou sendo SEM o Victor. Ele dormiu a festa toda, o que obviamente me possibilitou saborear a ceia toda usando as DUAS mãos (pensa no loosho disso!). Só acordou na hora da sobremesa, mas só pra mamada mesmo. A festa foi gostosa, mas tudo diferente. Primeiro porque eu estava me sentindo praticamente uma americana, com casaquinho a postos, tamanho o frio da noite chuvosa (e olha que o Natal é sempre um dos dias mais quentes em Porto Alegre!). Segundo porque era meu primeiro Natal com bebê. Terceiro: porque não teve bebê na festa. Capotou tão abruptamente que sequer tive coragem de trocar a roupa e botar a “farda natalina”. Tem nem foto do pitoco na festa.
Eu só consegui curtir meu Baby Noel no dia seguinte, com direito a brincar com os presentinhos de Natal, de bicho de pelúcia a Baby Einstein. E – claro – nesse dia ele tava um doce. E eu – um bagaço. Ali eu me dei conta que o melhor era esperar o horror dos horrores no Réveillon (que tem festerê, fogos a mil, barulhos…), pois daí não me frustaria.

Festa # 3: Réveillon

O anjinho 2012 e as olheiras da mãe...

Eu pensei e repensei 5.000 vezes se ia pra praia na virada de ano, sabendo do foguetório insano que sempre tem por lá. Mas essa é a minha tradição. Sempre passamos o Réveillon na praia, junto da familiarada. Parece que não tem graça estar na cidade e dar Feliz Ano Novo pro Jô e pro Vi apenas, ao contrário das 30 pessoas que normalmente celebram com a gente no condomínio da praia.
Fomos pra praia. O tempo se armou de uma maneira, que eu senti que a noite ia ser punk! Choveu horrores, faltou luz, teve vendaval e chegou a destelhar o telhado da casa (dava pra ver as estrelas quando se ia ao banheiro!!). O pitoco teve cólica e chorou por quase 1 hora.
E aí, quando a gente acha que já sacou tudo, percebe que ainda não entende nada. Com a crise de cólica, tive certeza de que teria uma noite infernal. Que nada! Às 21:30 o Victor se acalmou e dormiu…até às 2:30!! Passou por barulheira de vendaval, por fogos de artifício, pelos gritos de “Feliz Ano Novo” all over the place e pelo vizinho da frente escutando “Ai, se eu te pego”. Zen. Ferradinho no sono. Dormindinho em paz. E eu comendo minha ceia à luz de velas, novamente com as 2 mãos!
Mamãe neurótica abraçava umas 3 pessoas e voltava pra olhar a cria. Não queria que meu bebê entrasse o ano chorando abandonado, sozinho, já que a babá eletrônica ficou em casa. Mamãe e papai sentaram-se à beira do bercinho desmontável e desejaram tudo de mais maravilhoso no novo ano do filhotinho. E eu agradeci silenciosamente por ele estar aqui e ter mudado completamente a minha vida. Pra sempre. Muitas vezes é um caos total e um cansaço desumano, mas o mundo simplesmente não faz mais sentido sem o Victor estando nele.

Então, gente amiga, meu desejo pra 2012 é que eu possa aproveitar as festas com meu filhote, mesmo que “aproveitar” agora signifique: ouvir choro, manha, não ter tempo pra comer direito, distrair o bebê e correr atrás de um rapazinho que, em Dezembro próximo, certamente vais estar andando. E vai ser maravilhoso!

O quarto do filho

Uma das coisas mais legais da gestação foi poder planejar os detalhes “materiais”, como roupas, chá de bebê, muambas do exterior pra encomendar e – claro – a decoração do quarto do Victor.
Quando soubemos que era menino, começou meu martírio, porque – como todos sabem – o mercado oferece sempre o triplo de opções para meninas.
Cá entre nós, eu sempre fui fã do estilo cuti-cuti: laços, frufrus, babados, lá lá lá. E comofaz quando o bebê é guri? Pesquisei ideias e vi que os temas eram meio limitados: carrinhos, esportes, bichos… Pensando no bolso, abri mão de imediato dessa coisa de ter tudo combinandinho, porque quando troca um item, tem que trocar tudo pra ficar harmônico. Pela mesma razão quis fugir de tudo que era muito bebezildo. Poxa, já que vamos gastar, que seja numa decoração que acompanhe o gosto de um menininho de uns 4, 5 anos também!
Eu logo percebi que não queria nada muito cuti-cuti pro quarto do Vi. Pode ser machismo (I don’t care); simplesmente parecia que não combinava com o bebê na minha barriga. Fugi dos tons pastéis, do branquinho, dos bordados.
Pois bem… O que eu tinha de antemão era um quarto pequenino, de pé direito bem alto, com um gigante sofá-cama branco de couro (que serve de local pra amamentação), um aparador de madeira (herança do pai) e o berço que ganhei do priminho do Victor, o Rick.
Optei por uma parede azul oceano e por outra café-com-leite. Decidi investir em móveis aéreos pra não atrolhar o quarto sem necessidade, além de uma cômoda que também serviria de trocador. Claro que nas lojas de bebê não tinha naaaada disso, então pesquisei direto em fábrica de móveis. Minha escolha foi pela Fábrica de Móveis Santa Cecília, que em preços imbatíveis e móveis confiáveis. Como encomendei tudo branco, troquei os puxadores por uns de madeira – de bichinhos variados – comprados na Puxadores & Cia.
Busquei a torto e a direito uma barrinha de papel de parede (na verdade, o nome é wall border) e não me encantei com nada. Com os tecidos pra cortina, a mesma coisa. Parecia tudo mais do mesmo. Até que eu descobri um site fantástico e encontrei tudo o que eu sonhava e mais um pouco, o Maternity and Baby Shopping Mart.
De lá encomendei a barra de papel de parede, cortina, 3 quadrinhos e o kit de adesivos (89 figuras pra decorar a parede!!). A compra deu mais de 99 dólares, então ainda peguei a promoção de frete grátis. Tive a sorte da minha amiga Fog estar viajando pros Estados Unidos e receber as muambitas no hotel dela. Mas ele entregam no mundo todo.
E o resultado foi esse aqui:

Entrada do quarto

"Fundo" do quarto

Os adesivos de parede: meu xodó!!

Berço, mais armários e borda do papel de parede

O saldo foi bem positivo! De móveis devo ter gasto uns R$ 3.500. Nos artigos importados, uns R$ 250. Os puxadores que foram mais carinhos, totalizando quase R$ 200.
Bom, fica a dica de uma mãe bem chatinha, que não queria nada muito “mais do mesmo” ou cuti-cuti e que pesquisou referências em tudo quanto foi lugar. Esper que ajude quem está na mesma situação!

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